terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Gatos: preconceito ou resquícios do passado?

Por Aline Oliveira
O preconceito com os gatos ocorre desde a antiguidade até os dias de hoje. Existem diversos mitos sobre os gatos, que são traiçoeiros, não gostam do dono, dão azar, entre outros. Porém, não devemos esquecer que o gato é totalmente diferente do cachorro, é um animal bastante independente, talvez seja por isso que o gato manifesta tantas aversões para uns e amores para outros.


No Egito, os gatos eram considerados sagrados, pois estavam associados a deusa Bastet, que era representada por um corpo de mulher e cabeça de gato; maltratar ou matar um gato era proibido (UOL Educação). Quem matasse ou maltratasse um gato recebia pena de morte. Quando um gato da família morria, o mesmo era embalsamado. Os antigos egípcios foram os primeiros a utilizar o gato para combater os ratos que atacavam os grãos armazenados.
Entretanto, o gato com seus olhos expressivos e seu comportamento independente sempre foi foco de superstições e mitos, principalmente os gatos pretos que “foram perseguidos por supostas ligações com o demônio, originando a crença, na Inglaterra, de que um gato preto atravessando o caminho é sinal de boa sorte. Boa sorte porque ele se foi e deixou de fazer-nos mal. Entretanto, na América, a crença inverteu-se, passando o gato preto a representar perigo” (Porto, citado por Rocca, 2007).
Os gatos também sempre estiveram envolvidos em histórias de bruxarias e perseguições.
                                                            “A ligação dos gatos com os cultos pagãos, desencadeou uma campanha da Igreja Católica contra eles. Nos mitos escandinavos, que originaram muitas das crenças pagãs, a carruagem de Freyja , deusa do amor e da cura, era puxada por gatos. A deusa guardava em seu jardim as maçãs com as quais se alimentavam os deuses no Valhalla, e sua iconografia é representada por gatos puxando sua carruagem, acabando por haver a associação entre o animal e a própria divindade. O culto a Freyja foi considerado heresia e os membros desta seita severamente punidos com tortura e morte. Como os gatos faziam parte do culto, foram acusados de serem demoníacos, principalmente os pretos” (Follain).
Mitos sobre gatos existem vários, independentemente de serem pretos ou não. É muito comum ouvirmos falar que gatos são traiçoeiros, só gostam da casa, e não do dono, que cães não se dão bem gatos, que gato tem asma, entre outros.
Sendo assim, acredito que vale a pena discutir alguns pontos como a questão de serem traiçoeiros, como muitos consideram. Em primeiro lugar, não podemos esquecer que o gato é diferente do cachorro, gatos são mais independentes, possuem hábitos noturnos e vários outros comportamentos. Brincando com um gato podemos observar que ele fica com a barriga para cima para brincar, sendo assim como podemos considerar que são traiçoeiros? Nessa posição eles estão totalmente rendidos às brincadeiras e não em posição de ataque. Outro ponto é que gatos são territorialistas, e isso não significa que não gostem de seus tutores, o que acontece é que comportamentalmente, precisam marcar território num espaço, e se o mesmo mudar de casa, a mesma situação irá acontecer pois eles querem encontrar um canto para eles.
Gatos também sentem saudades de seus donos e podem até ficar depressivos na falta deles. São animais que expressam o seu sentimento de um modo diferente, mas isso é apenas uma questão comportamental. Do mesmo modo que não somos todos iguais, cada um tem seu comportamento, por que o gato não pode ter esse privilégio também?
Como podemos perceber, existem várias histórias sobre os gatos. O que vale ressaltar é que são animais não-humanos assim como os outros, independentemente das histórias, não devemos esquecer que são nossos irmãos menores e que estão aqui num processo de evolução igual a nós, possuem uma alma, sentem dor, sentem fome e medo.
Com tantas perseguições que os gatos sofreram e ainda sofrem, acabo achando normal certos gatos serem ariscos, talvez estejam tentando, mesmo sem saber, fugir do preconceito.
Abraços,
Aline
Referências Bibliográficas
[Uol Educação]. Verdades e mentiras sobre a civilização multimilenar. Disponível em o http://educacao.uol.com.br/historia/egito-antigo-verdades-e-mentiras-sobre-a-civilizacao-multimilenar.jhtm. Acesso em 01/11/2011.

FOLLAIN, M. [GREEPET]. Os gatos na idade média. Disponível em http://www.greepet.vet.br/idademedia.php. Acesso em 03/11/2011.
ROCCA, y. Deixe um gato supreender você. Instinto Editorial, 1 º edição, 2007.

9 comentários:

  1. Super legal ter achado vocês!!!
    Só o título do blog nos chamou a atenção!!!
    Quero voltar depois com calma, pois acredito que existam vários temas super interessantes aqui.
    Obrigado desde já.
    Abraxos

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    1. É sempre bom tê-los conosco!!!

      Grande abraço!
      Fernanda

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  2. Olá! Ficamos muito felizes em tê-los conosco!

    Precisamos nos unir para divulgar a causa dos animais não-humanos em vários aspectos!

    Grande abraço! Conte conosco!
    Fernanda

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  3. tive o imenso e indescritível prazer de ter duas gatinhas e uma cadelinha em casa, e digo que não há nada que possa expressar o quanto o felino é um animal sincero. precisamos respeitar as individualidades dos animais, assim como o fazemos (ou deveríamos fazer) com os humanos. quem não gosta de gato de jeito nenhum é preconceituoso (talvez nunca tenha convivido com um pra saber como é)ou, no mínimo, egoísta: quer que o felino se renda aos seus caprichos, como normalmente fazem os cães, e dificilmente isso vai acontecer! os felinos são realmente independentes, e só a natureza pode alterar isso.
    abraço,
    wanderson
    (conheça: www.mundomelhor.org. cultura, espiritualidade e reflexões ao alcance de todos!)

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    1. Lindo depoimento! Devemos sem dúvida respeitar a individualidade dos seres!! Cada ser é único e lindo em suas experiências únicas!

      Grande abraço!
      Obrigada!
      Fernanda

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  4. Tive uma gatinha e uma manhã, encontrei-a em situação deplorável devido a ingestão de veneno. O tempo de convivência na casa foi de muito amor, tanto da parte dela para conosco (muito amorosa) e de nós para com ela também. Infelizmente, sua vida foi ceifada por um matador e hoje ela faz muita falta pra nós, principalmente para mim. A saudades é imensa. Um dia a encontrarei novamente, tenho fé e certeza disso! Fiquem com Deus!

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    1. Olá Gláucia!

      Pense que você fez tudo o que estava no seu alcance. Alegre-se por isso!

      Ela veio como um vento leve e passageiro, porém o amor entre vocês será eterno! Esse laço é para sempre.

      Obrigada por compartilhar conosco! Obrigada pelo exemplo! Tenha força e orgulhe-se por fazer diferença na vida de alguém especial!

      Grande abraço! Conte conosco!
      Fernanda

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  5. Boa tarde. Tenho um gato que peguei com 1 mês de vida e desde até hoje ele vive comigo, atualmente está com 10 meses. Sempre demos muito amor e carinho a ele principalmente minha mãe e eu. Ele tem seus momento de ser dócil mas também de fúria onde ele morde braços e pernas minhas e minha mãe. Porém ontem ele deu uma mordida mais grave no braço de minha mãe no qual quase afetou uma veia sendo assim tomei uma decisão de soltá-lo na rua bem longe de minha casa. Sei que o espiritismo fala que temos a missão de fazer com que os animais progridem nesse mundo, mas estamos com medo que ele morda novamente, apesar de ser dificil porque gostamos dele temos que tirá-lo de casa. Qual a sua opinião perante esse fato? Obrigado !

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    1. Querido amigo, imagino que a situação não é fácil.
      Entretanto, soltá-lo na rua seria um ato de desamor.

      Não jogamos na rua alguém que dizemos gostar por qualquer que seja o motivo.

      O gatinho provavelmente irá ficar desamparado, com sede, fome, procurando os amigos que lá o deixaram.

      Temos uma enorme responsabilidade com todos os seres - humanos e animais - e, sem dúvida, responderemos por todos os atos equivocados direcionados a eles.

      Tente buscar ajuda entre ONGs, amigos, para que ele possa conseguir um bom lar. Isto é o mínimo que você deve fazer por ele. Afinal, também é nossa responsabilidade cuidar destes irmãos.

      Grande abraço!
      Fernanda

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