sexta-feira, 16 de março de 2012

O que é Senciência Animal?


Por Sirlei Aparecida Maestá, Profª. Drª. de etologia da UNESP/Câmpus de Dracena

No dicionário português a palavra Senciência, ainda não é encontrada, originada do latin sentire que significa sentir, “é a capacidade de sofrer, sentir prazer ou felicidade”. O conceito de animais sencientes, ou capazes de experimentar estados afetivos positivos e negativos, tornou-se nos últimos 30 anos, um tema de grande interesse . No entanto, um exame mais detalhado da história revela que o interesse pelo tema não é tão recente assim.


A maioria dos filósofos renascentistas como de Aristóteles, Immanuel Kant e Rene Descartes tiveram grande influência desde a antiguidade, até os dias atuais, com as afirmações de inferioridade dos animais e sua denominação como “máquinas que servem ao homem”, principalmente durante o século XX. Mas também, em contrapartida filósofos como Voltaire, Rousseau, Da Vinci e Jeremy Bentham contribuíram muito de maneira positiva com os movimentos de defesa dos animais que iriam surgir algum tempo depois.

Outro tema bastante discutido atualmente, principalmente no meio acadêmico, e exigido pela população e o bem-estar animal, todavia, para estudá-lo é necessário acreditar que a senciência existe. E constatá-la não é uma tarefa fácil cientificamente, entretanto, vários trabalhos têm comprovado sua existência.

Hötzel et al. (2005) demonstraram em um trabalho com vacas leiteiras, que os animais são capazes de sentir medo. Neste trabalho foram avaliados dois ordenhadores, onde um se apresentava neutro e o outro apresentava um comportamento aversivo. O estudo concluiu que os animais mantinham uma distância de fuga maior do ordenhador aversivo, ou seja, elas memorizaram e o identificaram como um perigo. Um estudo realizado na UFPR com codornas japonesas de postura avaliou o comportamento compensatório de aves que foram criadas confinadas em gaiolas industriais e depois colocadas em um ambiente enriquecido. Observou-se durante a pesquisa que essas aves, no novo ambiente, exerciam atividades como ciscar e tomar banhos de areia na maior parte do tempo, e a isso se dá o nome de comportamento compensatório. Elas exerciam tais comportamentos com maior freqüência que aves que foram criadas nesse ambiente.

Outra teoria da existência da senciência está baseada no fato de que os animais vertebrados apresentam todas as estruturas cerebrais envolvidas com os sentimentos em seres humanos. Segundo Peter Singer, a parte do cérebro associada às emoções e aos sentimentos, o diencéfalo, está bem desenvolvida em muitas espécies animais, particularmente nos mamíferos e pássaros. Por meio dessas semelhanças anatômicas, os cientistas têm observado que os animais respondem fisiologicamente à dor física e psíquica (medo, ansiedade, depressão, stress) da mesma maneira que os humanos o fazem. Por isso, quando sentem alguma dor, os animais se comportam de um jeito muito parecido com o dos humanos, e o seu comportamento é suficiente para justificar a convicção de que eles sentem dor e, portanto, são conscientes.

Ao reconhecermos o sofrimento animal, temos a obrigação ética e moral de evitar o seu sofrimento desnecessário, pois segundo as palavras do próprio Charles Darwin: “Não existe nenhuma diferença fundamental entre o ser humano e os animais superiores em termos de faculdades mentais. A diferença entre a mente de um ser humano e de um animal superior é certamente em grau e não em tipo”.

3 comentários:

  1. A única diferença é que o ser humano ter a faculdade de SER MAU...

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    1. Apoiado, Rosa Carioca. Exactamente. Nenhum animal na Natureza é tão cruel como o dito HOMEM. Tortura e mata por prazer.

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  2. Lindo lindo, parabéns pelo artigo.

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